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    Capacitação Profissional

    IV Congresso Internacional de Educação do Sesi-SP discute letramento em futuros e neurociência aplicada à formação docente

    ivandromkt@gmail.comBy ivandromkt@gmail.commaio 13, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    O Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e a Faculdade Sesi de Educação reuniram especialistas brasileiros e estrangeiros nos dias 11 e 12 de maio, na capital paulista, para o IV Congresso Internacional de Educação. O encontro, voltado a profissionais da educação básica das redes pública e privada, colocou em pauta duas linhas centrais: a necessidade de preparar estudantes para cenários futuros e a incorporação de evidências da neurociência na formação de professores.

    Cerimônia de abertura

    A programação teve início na manhã de 11 de maio. A diretora da Faculdade Sesi, Daniele Nascimento, deu as boas-vindas aos participantes. Ao lado dela, o deputado federal José Mendonça Filho, que preside o Conselho Superior de Educação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), destacou, em discurso, que o setor produtivo precisa de escolas capazes de formar cidadãos aptos a lidar com mudanças rápidas na sociedade e no mercado de trabalho.

    Peter Bishop defende o “letramento em futuros”

    A primeira conferência internacional coube ao educador e futurista Peter Bishop, fundador do movimento Teach the Future. Em exposição intitulada “Letramento em Futuros para uma Educação Transformadora”, ele argumentou que o sistema de ensino aborda o passado de forma consistente, mas dedica pouca atenção ao que ainda está por vir. “Se não falamos de futuro em sala de aula, perdemos a chance de preparar os alunos para influenciar o que vai acontecer”, afirmou.

    Segundo Bishop, o letramento em futuros deveria atravessar todo o currículo, da educação básica à graduação, integrando disciplinas como história, matemática, literatura e ciências. Para que isso aconteça, advertiu, professores precisam de treinamento específico a fim de dominar ferramentas de prospecção e cenarização. “Durante o processo, os estudantes também devem perceber que são protagonistas e podem intervir nas análises desenvolvidas”, complementou.

    O pesquisador apresentou três conceitos centrais de sua área:

    Futuro esperado – construção de cenários com base em eventos atuais, tendências detectadas e projeções prováveis.
    Futuro alternativo – produção de realidades hipotéticas que se afastam da cronologia convencional, estimulando a imaginação para além do curso natural dos fatos.
    Futuro referencial – estudo de tendências para criar cenários prospectivos não lineares, permitindo diferentes rotas de pesquisa e ação.

    Para Bishop, compreender essas dimensões auxilia escolas e comunidades a se prepararem para surpresas, mitigar riscos e aproveitar oportunidades. “Não se trata de prever exatamente o que acontecerá, mas de ampliar nossas opções”, explicou.

    Neurociência, emoções e aprendizagem

    No mesmo dia, o congresso abriu espaço para o painel “Repensando a Formação Docente sob a Lente da Neurociência”, com a participação da pesquisadora belga Veerle Ponnet e da psicopedagoga brasileira Ana Luiza Neiva do Amaral, que integra o Departamento Nacional do Sesi e o Conselho de Administração da Rede Nacional de Ciência para a Educação.

    Ponnet, reconhecida internacionalmente por trabalhos nos campos da comunicação, educação e inteligência artificial, chamou atenção para a convergência entre pedagogia, psicologia e neurociência. “Quando esses três pilares se unem, geramos ideias capazes de melhorar o processo de aprendizagem”, afirmou.

    Ela frisou que emoções, experiências pessoais e ambiente escolar influenciam diretamente a consolidação do conhecimento. Entre os pontos realçados, destacam-se:

    • Aprendizagem ativa – envolvimento do estudante em atividades que exigem participação e reflexão.
    • Repetição – retomada de conteúdos para fortalecer conexões neurais e facilitar a retenção.
    • Sono – período essencial para a memorização, pois o cérebro reorganiza e consolida informações durante o descanso.
    • Caráter social da aprendizagem – sensação de pertencimento e meta comum aumentam motivação e resultados acadêmicos.

    “Aprendemos mais quando sabemos que todos estão interessados no mesmo assunto e motivados a progredir”, declarou a pesquisadora.

    IV Congresso Internacional de Educação do Sesi-SP discute letramento em futuros e neurociência aplicada à formação docente - Imagem do artigo

    Imagem: Evert Amaro Fiesp

    Formação docente precisa de transformação, afirma Ana Luiza Neiva do Amaral

    Na segunda parte do painel, Ana Luiza Neiva do Amaral defendeu a urgência de repensar a formação de professores à luz das descobertas da neurociência. Para ela, “informar” difere de “educar”. “Ao informar, transmito dados; ao educar, provoco transformação”, resumiu.

    A especialista avaliou que modelos pedagógicos herdados do passado não respondem mais aos desafios contemporâneos. “A sociedade do conhecimento ficou para trás; vivemos em uma cultura de inovação. Mais importante que acumular dados é saber manejá-los de forma crítica e criativa”, observou.

    Nessa perspectiva, a questão deixou de ser “o que ensinar” para se tornar “como ensinar”. Amaral sustentou que a resposta está na compreensão de como o cérebro aprende. Entre as orientações apresentadas, destacam-se:

    • Favorecer experiências significativas que envolvam o aluno, permitindo reflexão posterior;
    • Respeitar o tempo necessário para que o cérebro processe, reorganize e consolide informações, evitando aprendizagem superficial;
    • Planejar aulas que combinem prática e metacognição, estimulando o estudante a pensar sobre a própria aprendizagem.

    “Tempo é um dos recursos mais valiosos para a inovação educacional. Sem ele, não há espaço para a aprendizagem se tornar duradoura”, reforçou.

    Dois dias de debate sobre futuro e ciência

    Ao longo de 48 horas, o IV Congresso Internacional de Educação do Sesi-SP reuniu gestores escolares, professores, pesquisadores e estudantes universitários em painéis, conferências e oficinas. Além de Bishop, Ponnet e Amaral, a programação contou com especialistas brasileiros em metodologias ativas, avaliação e inclusão, que ofereceram oficinas práticas aos participantes.

    Em nota divulgada pela organização, a diretora Daniele Nascimento avaliou que a edição de 2026 consolidou o evento como espaço de intercâmbio entre teoria e prática. “A cada ano buscamos trazer evidências científicas que ajudem a redefinir o cotidiano da sala de aula”, declarou.

    Os conteúdos apresentados deverão ser disponibilizados futuramente no ambiente virtual da Faculdade Sesi de Educação, permitindo que educadores de todo o país acessem gravações e materiais de apoio.

    Encerradas as atividades na tarde de 12 de maio, a direção do Sesi-SP anunciou que o quinto congresso internacional já está em fase de concepção e deverá ocorrer em 2028, mantendo o compromisso de aproximar a educação básica dos avanços científicos e das demandas do mundo do trabalho.

    Com informações de Revista Educação

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