São Paulo – O Itaú Social abriu inscrições para o curso on-line e gratuito Arte na educação infantil, formação de 20 horas destinada a professoras, gestores escolares e demais profissionais que atuam em creches e pré-escolas de todo o país. Estruturado em quatro módulos, o programa reúne fundamentos pedagógicos, propostas de atividades práticas e reflexões sobre equidade étnico-racial, com o objetivo de qualificar o trabalho pedagógico em arte desde a primeira infância.
Quatro módulos interligados
O conteúdo foi organizado de modo sequencial para facilitar o estudo autônomo. No primeiro módulo, os participantes revisitam direitos de aprendizagem previstos para a faixa etária de 0 a 5 anos, exploram os campos de experiência definidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e analisam diretrizes de qualidade para instituições de educação infantil. Já o segundo módulo discute a pluralidade do conceito de arte e mostra como referências predominantemente europeias influenciaram a criação de estereótipos que ainda permeiam as práticas escolares.
O terceiro módulo amplia o repertório com estudos de produções africanas, afro-brasileiras e indígenas, destacando a importância de reconhecer saberes comunitários e de estimular o contato das crianças com diferentes matrizes culturais. Por fim, o quarto módulo apresenta propostas de experimentação artística, incentiva a utilização de materiais do cotidiano e sugere a ampliação dos espaços escolares como ambientes de criação e curadoria coletiva.
Perspectiva de equidade e diversidade
Ao longo da formação, as aulas dialogam com temas como inclusão, respeito às identidades e combate ao racismo estrutural. Segundo Claudia do Nascimento, coordenadora de soluções educacionais do Itaú Social, a intenção é “ampliar o repertório pedagógico dos profissionais para que reconheçam a arte como campo plural, atravessado por diferentes culturas, saberes e formas de expressão”. Para a especialista, essa compreensão favorece experiências de aprendizagem mais significativas na etapa inicial da educação básica.
Entre os destaques estão análises de como obras de artistas africanos e indígenas podem ser integradas ao cotidiano escolar, sem recorrer a estereótipos ou simplificações. O curso propõe, por exemplo, a criação de espaços expositivos dentro da escola com curadoria das próprias crianças, valorizando o olhar infantil sobre produções artísticas diversas.
Práticas de experimentação artística
Em consonância com as orientações da BNCC, a formação incentiva a exploração de múltiplas linguagens. As propostas incluem atividades de pintura com pigmentos naturais, produção de objetos sonoros a partir de materiais recicláveis e construção de narrativas visuais que dialoguem com o território onde a escola está inserida. A abordagem enfatiza o corpo e o movimento, ressaltando a importância de experiências sensoriais e do brincar livre para o desenvolvimento integral da criança.
Outro eixo presente no material envolve o contato com a natureza. Docentes são convidados a planejar intervenções artísticas em ambientes externos, usando elementos como folhas, sementes e água para estimular a curiosidade e a criatividade infantil. A ideia é que a arte ultrapasse as paredes da sala de aula e dialogue com o espaço físico da escola e da comunidade.
Relação escola, família e comunidade
O curso também apresenta estratégias para aproximar famílias do processo pedagógico. Entre elas, a realização de oficinas abertas ao público, exposições coletivas nos fins de semana e rodas de conversa sobre a influência das manifestações culturais locais na infância. Essas ações buscam fortalecer vínculos e reforçar a percepção de que a educação estética é responsabilidade compartilhada por toda a comunidade escolar.
Para favorecer a participação das famílias, a formação sugere horários flexíveis de encontro e o uso de plataformas digitais que permitam o compartilhamento de produções das crianças, vídeos de processos criativos e relatos das professoras. A meta é construir uma rede de colaboração que amplie as possibilidades de aprendizagem fora do horário escolar.
Imagem: pexels
Curso autoformativo com certificação
Por ser autoformativo, o participante pode avançar no ritmo que considerar mais adequado. Após concluir as atividades e responder aos questionários de verificação, o cursista recebe certificado de 20 horas emitido pela Escola Fundação Itaú. Todo o conteúdo fica disponível em ambiente virtual responsivo, acessível por computador, tablet ou smartphone.
Não há limite de vagas nem período restrito para matrícula. Interessados precisam apenas criar login na plataforma da Escola Fundação Itaú e acessar o módulo Arte na educação infantil. O sistema registra o progresso automaticamente, permitindo retomar o estudo do ponto exato em que foi interrompido.
Instrumento para políticas públicas
Além de apoiar educadores individuais, a iniciativa pretende servir de referência para secretarias municipais e estaduais que buscam aprimorar seus programas de formação continuada. De acordo com o Itaú Social, materiais didáticos, vídeos e roteiros de atividade podem ser incorporados a ações coletivas, desde que respeitada a autoria e mantido o caráter gratuito.
O curso integra a estratégia mais ampla da organização de fortalecer práticas pedagógicas baseadas em equidade e diversidade. A oferta soma-se a outros programas da entidade voltados ao desenvolvimento de capacidades docentes, gestão escolar e mobilização social pela educação.
Profissionais que completarem a formação terão acesso a fórum exclusivo de trocas na própria plataforma, onde poderão compartilhar experiências, divulgar projetos e tirar dúvidas com especialistas convidados pelo Itaú Social. A ferramenta pretende criar rede de apoio permanente, fomentando a continuidade das reflexões sobre arte, infância e diversidade.
Inscrições e demais informações estão disponíveis em escola.fundacaoitau.com.br. O acesso é inteiramente gratuito.
Com informações de Revista Educação
