A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) anunciou que, a partir do primeiro semestre de 2026, todos os seus cursos de licenciatura passarão a operar sob um novo modelo curricular. A mudança inclui a obrigatoriedade de estágio logo no início da graduação e prevê ajustes para que a formação de professores acompanhe temas como inteligência artificial, sustentabilidade e inclusão, especialmente de estudantes neurodivergentes.
Estágios desde o primeiro semestre
Entre as alterações de maior impacto está a antecipação dos estágios obrigatórios. A partir de 2026, alunos dos sete cursos de licenciatura da instituição — Ciências Biológicas, Educação Física, Filosofia, História, Letras Língua Inglesa, Letras Língua Portuguesa e Pedagogia — deverão iniciar as atividades em escolas já no primeiro semestre letivo. Atualmente, essa experiência costuma ocorrer em fases mais avançadas do curso; com a revisão, a universidade pretende aproximar o estudante da realidade da sala de aula desde o início da formação.
Ênfase em inclusão e interdisciplinaridade
Outro ponto destacado pela PUCRS é o reforço de práticas voltadas à educação inclusiva. As novas matrizes curriculares preveem atividades práticas desenvolvidas com apoio de docentes especialistas, além de componentes conectados às necessidades de ensino para diferentes perfis de aprendizes. O redesenho também prevê projetos interdisciplinares que envolvem a Escola de Humanidades e a Escola de Ciências da Saúde e da Vida, buscando diálogo contínuo entre áreas para enriquecer a formação docente.
Formação em liderança educacional
A revisão curricular inclui disciplinas voltadas à formação de lideranças na educação. O objetivo é expandir a atuação do licenciado para além da sala de aula, favorecendo competências necessárias em coordenação de equipes escolares, organizações sociais, empresas e outros ambientes que demandem profissionais com visão pedagógica e capacidade de gestão.
Valorização da carreira docente
A pró-reitora de Graduação e Educação Continuada da PUCRS, Adriana Kampff, explica que o reposicionamento dos cursos busca fortalecer a profissão de educador: “Todos nós reconhecemos a importância dos professores na nossa formação. Eles são a base da sociedade, formando pessoas que atuarão em diferentes espaços sociais. Por isso é tão importante que os cursos que formam esses profissionais estejam em constante atualização observando os novos contextos sociais”, afirma.
Sete licenciaturas com novo currículo
A PUCRS oferece sete licenciaturas presenciais. Os respectivos currículos foram revisados para contemplar os desafios contemporâneos da educação, mantendo a tradição de mais de 70 anos da universidade na formação de professores.
- Ciências Biológicas
- Educação Física
- Filosofia
- História
- Letras – Língua Inglesa
- Letras – Língua Portuguesa
- Pedagogia
Todos os cursos incorporarão as diretrizes de estágio antecipado, foco em inclusão, projetos interdisciplinares e competências de liderança.
Mais de 11 mil docentes formados desde 2000
De acordo com a universidade, mais de 11 mil professores concluíram licenciatura na PUCRS desde 2000. Parte dos concluintes integrou ações sociais como o Programa de Formação de Professores da Educação Básica (Prilei), iniciativa do Ministério da Educação destinada a docentes sem curso superior e a estudantes que obtiveram bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dos ingressantes de 2022 pelo Prilei, 145 devem se formar na PUCRS até o fim de 2025.
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Apoio acadêmico ampliado
Para dar suporte à jornada dos futuros educadores, a universidade mantém o Centro de Apoio Discente, aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h30. O espaço reúne três frentes de atendimento: aprendizagem, educação inclusiva e apoio psicossocial, disponibilizando serviços a toda a comunidade acadêmica.
Cenário nacional de procura por licenciaturas
Dados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) indicam que o interesse pela docência segue elevado. No Sisu 2025, foram registradas mais de 1,1 milhão de inscrições em cursos de licenciatura presenciais em todo o país, aumento de 23 % em relação ao processo anterior. A relevância social da profissão aparece mesmo diante dos desafios estruturais enfrentados pela carreira.
Satisfação e dificuldades da carreira
O 14º Mapa do Ensino Superior, publicado pelo Instituto Semesp em 2024, revela que 53 % dos professores da educação básica declaram-se satisfeitos ou muito satisfeitos com a profissão. As principais razões apresentadas são: desejo de ensinar (59 %), satisfação em ver o progresso dos alunos (35 %) e vocação para a área (30 %). Por outro lado, 79 % dos respondentes já pensaram em abandonar a docência, e apenas 2,5 % consideram a remuneração adequada.
Com o reposicionamento curricular, a PUCRS busca oferecer formação alinhada a essas demandas, combinando prática antecipada, recursos de apoio e integração entre diferentes áreas do conhecimento. As novas diretrizes entram em vigor para os ingressantes de 2026, mantendo a tradição da instituição e atualizando o percurso formativo às exigências contemporâneas da educação.
Com informações de Revista Educação

