A Escola Fundação Itaú colocou no ar três formações virtuais, gratuitas e com certificação, voltadas a profissionais dos setores de educação, arte e cultura — mas abertas a qualquer interessado. Os cursos, disponibilizados no modelo autoformativo, permitem que o participante defina seu próprio ritmo de estudo, sem tutoria obrigatória. As inscrições já podem ser feitas diretamente na plataforma da instituição.
Formações curtas e certificadas
Cada percurso apresenta carga horária reduzida, concebida para caber em agendas apertadas: duas formações têm quatro horas de duração e uma soma duas horas de conteúdo. Ao concluir as atividades propostas, o aluno recebe certificado emitido pela Escola Fundação Itaú, documento que comprova a participação e pode ser anexado a portfólios ou perfis profissionais.
Vozes, artes e territórios
O primeiro lançamento, “Vozes, artes e territórios”, procura repensar representações históricas do Brasil sob lentes decoloniais. O conteúdo foi desenvolvido pelo Itaú Cultural em formato de série de podcasts dividida em quatro episódios, totalizando quatro horas de escuta.
Ao longo das conversas, o músico e pesquisador Tiganá Santana, docente do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), e a historiadora da arte Fernanda Pitta, professora do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP), dialogam sobre imaginários coloniais construídos por artistas franceses entre os séculos XVI e XIX. Entrevistas com dois criadores indígenas e uma artista afro-brasileira ampliam o debate, permitindo que experiências pessoais e pertencimentos territoriais apareçam como linhas de resistência estética.
A primeira convidada, a artesã Célia Tupinambá, descreve como a retomada da confecção do Manto Tupinambá funciona como estratégia de enfrentamento às heranças coloniais que persistem sobre os povos originários. Na sequência, o artista visual Denilson Baniwa comenta o papel da arte no cotidiano contemporâneo e critica o sistema de legitimação presente no circuito expositivo brasileiro. Encerrando a série, a dançarina e coreógrafa Ana Pi discute o corpo em trânsito, refletindo sobre marcas coloniais percebidas entre Minas Gerais e França.
Além dos áudios, o curso disponibiliza um e-book que resume ideias centrais dos diálogos e infográficos que visualizam conceitos explorados pelos convidados.
Design decolonial: territórios e olhares
Já o “Design decolonial: territórios e olhares” surge de parceria com a Kuya – Centro de Design do Ceará. Também estruturado em quatro horas de estudo, ele apresenta exemplos de práticas criativas que nascem em comunidades periféricas ou rurais e permanecem invisíveis em narrativas eurocêntricas.
A arquiteta e pedagoga Cláudia Sales, coordenadora de formação da Kuya, divide a sala virtual com a arquiteta e pesquisadora Cristiellen Rodrigues Ribeiro. Juntas, as docentes analisam como processos de escuta ativa, economia criativa e participação juvenil podem reformular o ato de projetar.
As aulas ainda discutem a presença de inteligência artificial e outras tecnologias emergentes na preservação — ou no apagamento — de histórias locais. O objetivo é incentivar profissionais a valorizar saberes comunitários, questionando metodologias que privilegiam padrões importados.
Projetos Culturais: por onde começar? – Parte 2
Fechando o pacote de novidades, a Escola Fundação Itaú disponibilizou a segunda parte do curso “Projetos Culturais: por onde começar?”. Com duas horas de conteúdos distribuídos em seis aulas, a formação aprofunda etapas necessárias para transformar uma ideia em proposta viável, seja para editais públicos, seja para iniciativas privadas.
Imagem: Shutterstock
O time de consultores reúne a escritora e jornalista Tatiana Sabadini; o advogado Cláudio Lins de Vasconcelos; a performer Estela Lapponi, especializada em acessibilidade; o comunicador André Felipe de Medeiros; o gestor cultural Marcos Salmo; e a jornalista e curadora Adriana Ferreira. A apresentação fica por conta da artista e gestora cultural Andressa Batista.
Entre os tópicos abordados estão estratégias de redação para editais, formatos de portfólio, planejamento financeiro — incluindo impostos e alíquotas aplicáveis — e noções de direitos autorais. Há ainda um módulo dedicado a tecnologias de acessibilidade e ao impacto da inteligência artificial nas rotinas de produção cultural, com ênfase nos limites de responsabilidade e originalidade.
A primeira etapa da formação, lançada em 2024, permanece disponível gratuitamente na mesma plataforma e cobre temas como estrutura de projetos, cronogramas, orçamento e experiências imersivas.
Como participar
As três formações funcionam no regime autoformativo. Assim que realiza a inscrição, o participante recebe acesso integral aos materiais e decide quando avançar ou revisar cada unidade. Para emitir o certificado, é necessário cumprir o percurso completo e responder às avaliações previstas em cada módulo.
Segundo a Escola Fundação Itaú, a iniciativa pretende democratizar o acesso a discussões contemporâneas sobre arte, cultura e design, além de oferecer ferramentas práticas para profissionais que desejam atuar na cadeia produtiva cultural. Não há limite de vagas nem prazo fixo para conclusão, o que amplia a flexibilidade dos estudos.
Os interessados devem realizar cadastro gratuito no site da Escola Fundação Itaú e selecionar o curso desejado. Após a adesão, todo o conteúdo fica disponível on-line, incluídos os podcasts, e-book, vídeos, infográficos e materiais de leitura complementar.
Com as novas ofertas, a plataforma reforça sua presença no campo de formação continuada, sobretudo ao articular temas emergentes — como decolonialidade, acessibilidade e inteligência artificial — com demandas práticas do cotidiano profissional.
Com informações de Revista Educação

