A expansão da inteligência artificial (IA) acelerou o debate sobre o futuro do trabalho e coloca a adaptação profissional no centro das discussões. Segundo o Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das competências exigidas no mercado hoje estarão alteradas ou obsoletas até 2030. Nesse cenário, mais de 92 milhões de postos podem desaparecer em cinco anos, com queda prevista de 6% a 13% nas oportunidades para jovens de 22 a 25 anos em funções expostas à automação.
Automação amplia desafios, mas também cria vagas
Embora o número de empregos extintos chame a atenção, o mesmo levantamento do Fórum Econômico Mundial indica que a automação deve abrir espaço para 170 milhões de novas posições. A combinação entre cortes e contratações reforça a necessidade de atualização constante, afirma o professor doutor Sérgio Czajkowski Junior, que leciona nos cursos de graduação e pós-graduação do UniCuritiba, integrante do grupo Ânima Educação.
“A questão principal não é saber quais profissões acabarão, mas como se preparar para uma revolução que já acontece”, destaca o docente, que também atua como consultor em planejamento estratégico, inovação e gestão de pessoas. Pós-graduado em Filosofia e Sociologia Política e doutor em Administração, Czajkowski observa que tarefas repetitivas figuram entre as mais suscetíveis à substituição por máquinas e algoritmos.
Uso de IA por crianças e adolescentes
O impacto das novas tecnologias começa cedo. Dados apresentados pelo professor mostram que 65% das crianças e dos adolescentes utilizam ferramentas de IA generativa para estudar, criar conteúdos ou lidar com emoções. O contato prematuro com recursos automatizados reforça a necessidade de desenvolver competências humanas que a tecnologia não reproduz plenamente.
Graduação segue relevante, mas muda de papel
Diante da automação crescente, Czajkowski argumenta que o ensino superior permanece essencial, porém ganha novo sentido. “O diploma deixou de ser blindagem automática; passou a ser diferencial estratégico quando conectado às demandas do mercado”, diz. Segundo ele, universidades que incentivam pensamento crítico, análise de problemas complexos e criatividade formam profissionais mais aptos a colaborar com sistemas inteligentes, em vez de competir diretamente com eles.
O professor enfatiza que as empresas precisarão, cada vez mais, de competências inalcançáveis pela IA. Entre elas estão empatia, julgamento ético, inteligência emocional e habilidades motoras finas de alta complexidade. “Atividades em que a interação humana e a capacidade de lidar com imprevistos são indispensáveis tendem a apresentar baixo risco de substituição”, resume.
Soft skills e hard skills devem caminhar juntas
Para quem ingressa no ensino superior, a recomendação de Czajkowski é combinar soft skills — como comunicação, negociação e empatia — a hard skills ligadas às áreas técnicas. “A IA não surge apenas para substituir; ela expande a capacidade humana”, afirma. O equilíbrio entre conhecimentos tecnológicos e atributos comportamentais deve nortear a formação dos profissionais que chegarão ao mercado após 2030.
Imagem: Shutterstock
Aprendizado contínuo ganha força
A consolidação da IA acentua a necessidade de reskilling (requalificação) e upskilling (atualização). Para o professor, o processo educativo não acaba na colação de grau e se tornará atividade vitalícia. “Precisamos estar dispostos a aprender novas ferramentas e aprimorar competências constantemente”, afirma. A tendência vale para todos os setores, do Direito à Administração, passando por Negócios e áreas cujos conteúdos mudam com rapidez.
Empreendedorismo encontra espaço no hiato entre homem e máquina
Czajkowski também identifica oportunidades empreendedoras no vácuo existente entre o que a IA faz bem e aquilo que depende do contato humano. “Há um imenso gap a ser preenchido”, observa. Iniciativas capazes de integrar soluções automatizadas à sensibilidade e ao julgamento humano podem gerar novos modelos de negócio e atender demandas ainda não exploradas.
A multiplicação de dados e a sofisticação das plataformas digitais reforçam a busca por profissionais que saibam interpretar informações, tomar decisões éticas e atuar de maneira colaborativa. Para o docente do UniCuritiba, essas características definem o perfil do trabalhador da próxima década, período no qual a inteligência artificial deve se consolidar como engrenagem-chave na economia global.
Enquanto o avanço tecnológico segue acelerado, o mercado se reorganiza para absorver ocupações inéditas e descartar outras. O Fórum Econômico Mundial estima que o saldo entre funções extintas e criadas dependerá da rapidez com que trabalhadores, empresas e instituições de ensino respondam às mudanças. “As oportunidades aparecerão para quem estiver disposto a aprender, inovar e abraçar a transformação”, conclui Sérgio Czajkowski Junior.
Com informações de Revista Educação

