Close Menu
oieduca.com.br
    Últimos posts

    USP oferece vagas remanescentes em graduação da ECA para diplomados sem necessidade de vestibular

    janeiro 27, 2026

    UFABC abre 584 vagas para cursinho gratuito de preparação ao Enem e vestibulares

    janeiro 27, 2026

    IFSC recebe inscrições para 200 vagas em curso gratuito de Inteligência Artificial on-line

    janeiro 27, 2026
    Facebook X (Twitter) Instagram
    oieduca.com.broieduca.com.br
    • Cursos Online
    • Educação Digital
    • Capacitação Profissional
    • Tecnologia Educacional
    Facebook X (Twitter) Instagram
    oieduca.com.br
    Home»Educação Digital»Professora de Brooklyn cria rede de apoio entre colegas para enfrentar o burnout nas escolas
    Educação Digital

    Professora de Brooklyn cria rede de apoio entre colegas para enfrentar o burnout nas escolas

    ivandromkt@gmail.comBy ivandromkt@gmail.comjaneiro 21, 2026Updated:janeiro 21, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
    Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr WhatsApp Telegram Email

    Em 21 de janeiro de 2026, a educadora Melinda Medina relatou como transformou a exaustão dos colegas em uma cultura de cuidado dentro de uma escola pública do Brooklyn, nos Estados Unidos. O relato, publicado pelo site EdSurge, revela como iniciativas simples, centradas no bem-estar coletivo, ajudaram a conter o avanço do burnout docente após a pandemia de Covid-19.

    Cansaço generalizado virou rotina

    Segundo Medina, o sinal de alerta surgiu durante uma reunião pedagógica. Enquanto a direção apresentava dados de desempenho e calendários de ensino, professores mantinham os olhos fixos em laptops, ombros curvados e canecas de café pela metade. “Éramos educadores tentando nos manter de pé em um sistema que esquecerá que somos humanos”, escreveu a docente.

    A pandemia deixou marcas profundas: estudantes regressaram às salas de aula com novas camadas de trauma, famílias enfrentavam luto e instabilidade financeira e os docentes absorviam essas emoções diariamente. Apesar disso, formações continuavam ocorrendo, rubricas permaneciam inalteradas e a expressão “autocuidado” repetia-se sem oferecer alívio real. Para Medina, o sentimento ia além do burnout; tratava-se de luto, desconexão e necessidade urgente de comunidade.

    Questionário simples deu início à mudança

    Em busca de respostas, a professora decidiu ouvir o corpo docente. Lançou um formulário no Google com uma pergunta central: “O que lhe traz alegria?”. Em poucos dias, a caixa de entrada foi inundada de sugestões. A partir delas, nasceu o Staff Community Moments, programa que abre duas vezes por semana as salas de aula para encontros descontraídos no fim do expediente.

    As atividades variam conforme o interesse dos voluntários:

    • a professora de espanhol montou um estúdio improvisado para aulas de salsa, embaladas por risos e passos ousados;
    • Medina mesma ensinou noções básicas de Língua Americana de Sinais (ASL), substituindo a fala por gargalhadas enquanto colegas treinavam gestos recém-aprendidos;
    • no ginásio, outra docente conduziu sessões de ioga, lembrando o grupo de respirar e aliviar tensões corporais;
    • o professor de artes transformou a própria sala em ateliê, permitindo que todos pintassem ao som de música suave;
    • a professora de francês criou um ambiente de café parisiense, com petiscos, chaveiros da Torre Eiffel e expressões do idioma.

    Não havia lista de presença nem obrigatoriedade: quem quisesse entrava, participava e saía quando achasse conveniente. Após um dos encontros, uma colega confessou: “Não percebi o quanto precisava disso até agora”. Para Medina, esses momentos não consertam o sistema educacional, mas lembram que o valor de cada profissional ultrapassa planos de aula e métricas de desempenho.

    Trauma silencioso entre educadores

    No mesmo período, a professora coorganizou, junto a uma conselheira escolar, uma formação sobre salas de aula informadas pelo trauma. O ponto de partida foi a escala de Experiências Adversas na Infância (ACEs, na sigla em inglês), usada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA para medir exposições a abuso, negligência ou disfunção familiar na infância.

    Estudos citados pela capacitação indicam que pontuações elevadas em ACEs aumentam o risco de doenças crônicas, depressão, enfermidades autoimunes e morte precoce. A surpresa veio quando o próprio corpo docente preencheu o questionário: muitos registraram quatro pontos ou mais. Vários relataram insônia, enxaquecas, ataques de pânico e a sensação de que a sala de aula despertava antigos instintos de sobrevivência.

    O peso do trauma secundário

    Além das experiências pessoais, professores lidam com a dor dos alunos. O conceito de estresse traumático secundário (STS) descreve o abalo emocional de quem escuta relatos de trauma em primeira mão. Nas escolas, ele aparece em comportamentos, ausências, silêncios e explosões inesperadas.

    Professora de Brooklyn cria rede de apoio entre colegas para enfrentar o burnout nas escolas - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Duas pesquisas destacadas por Medina ajudam a dimensionar o problema:

    • a publicação “Preventing Secondary Traumatic Stress in Educators” aponta que quase 50% dos docentes sofrem algum nível de STS, com sintomas que vão de insônia a entorpecimento emocional;
    • outro estudo revela que mais de 90% dos profissionais escolares relatam sinais de STS, sendo que quase metade apresenta níveis considerados graves.

    No cotidiano, a educadora assistiu a colegas saindo da sala para respirar depois de conter crises de comportamento, chorando após ouvir relatos de abuso, comprando alimentos e roupas para alunos em situação de rua ou acompanhando estudantes ao hospital em casos de ideação suicida. “Trauma, assim como alegria, é contagioso, e os professores estão na linha de frente sem equipamento de proteção”, escreveu.

    Elementos de uma cultura de cuidado

    Para Medina, reconstruir a cultura escolar não exige grandes investimentos, mas intencionalidade. Ela elencou quatro pilares que funcionaram em sua escola:

    1. Bem-estar que nasce de dentro – Oportunizar que docentes conduzam atividades de acordo com suas paixões, mantendo o calendário livre de sobreposições e sem tornar a participação obrigatória.
    2. Formação traumainformada voltada aos adultos – Incluir reflexão sobre ACEs nas capacitações, explicar impactos biológicos do trauma e oferecer apoio contínuo, como encaminhamentos a serviços de saúde mental e sessões de mindfulness.
    3. Círculos de apoio entre pares – Criar grupos voluntários, mensais, focados em escuta e reflexão, com participação aberta também a lideranças.
    4. Liderança compassiva – Diretores devem adotar práticas que considerem a humanidade da equipe: horários flexíveis, pausas de bem-estar, cargas de trabalho realistas e checagens de rotina sobre o estado emocional, não apenas sobre planos de aula.

    Impacto percebido em um ano

    Doze meses após o início do Staff Community Moments, a atmosfera escolar mudou. Laços surgiram entre profissionais que raramente conversavam, e trocas sobre currículos abriram espaço para interesse genuíno pela vida pessoal dos colegas. Estudantes também notaram o clima diferente: professores sorriam mais, colaboravam e demonstravam afeto, exibindo na prática como se constrói cuidado comunitário.

    Embora a ação não altere as exigências burocráticas do sistema educacional, Medina defende que o bem-estar de quem ensina não é luxo. Sem atenção ao impacto do trauma, o burnout permanece inevitável e a rotatividade segue alta. “Construir uma cultura de cuidado é um ato de resistência contra um sistema que mede o valor do educador apenas pela produtividade”, concluiu.

    O relato integra a série “Voices of Change”, do EdSurge, que reúne experiências de educadores de diversas regiões. O conteúdo tem apoio da Chan Zuckerberg Initiative, com controle editorial mantido pelo veículo, e está licenciado sob Creative Commons CC BY-NC-ND 4.0.

    Com informações de EdSurge

    ivandromkt@gmail.com
    • Website

    Add A Comment
    Leave A Reply Cancel Reply

    Não perca!
    Cursos Online

    USP oferece vagas remanescentes em graduação da ECA para diplomados sem necessidade de vestibular

    janeiro 27, 2026

    A Universidade de São Paulo (USP) abriu processo seletivo para preencher vagas ociosas em cursos…

    UFABC abre 584 vagas para cursinho gratuito de preparação ao Enem e vestibulares

    janeiro 27, 2026

    IFSC recebe inscrições para 200 vagas em curso gratuito de Inteligência Artificial on-line

    janeiro 27, 2026

    USP lança nova edição de curso gratuito de Astronomia para docentes do Ensino Médio

    janeiro 26, 2026

    O OnlineiEduca é um portal dedicado a tornar o aprendizado mais acessível, prático e atual. Produzimos conteúdos educacionais claros e confiáveis, voltados para quem busca conhecimento, capacitação profissional e crescimento contínuo em um mundo cada vez mais digital.

    Categorias
    • Capacitação Profissional
    • Cursos Online
    • Educação Digital
    • Tecnologia Educacional
    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest
    • Home
    • Contato
    • Sobre nós
    • Política de Privacidade e Cookies
    OnlineiEduca © 2025 - Todos os Direitos reservados

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.